Vossos postos fronteiriços, vossas grades erguidas,
são fantasmas de um medo que nós mesmos fundamos.
Vossas leis não são raízes, são cordas podres,
que estrangulam o caule novo que já brota no asfalto.
Vossos soldados marcham com passos de autômatos,
temendo mais a fuga do que nossa fúria.
O Estado é a sombra de um gigante decrépito,
e nós somos a luz que não mais se deixa projetar.
Cada documento de identidade é um epitáfio
para um ser selvagem que ainda lateja em nossas veias.
Queimar os arquivos não é terror, é higiene:
limpar o nome do horizonte para enfim habitá-lo.
Liberto Herrera.