O 1º de Maio horizontal da UAF e FACA

Companheirxs da União Anarquista Federal (UAF) e da Federação Anarquista Capixaba (FACA), meu punho cerrado e meu coração em chamas vão para vocês neste Primeiro de Maio que ainda ecoa nas ruas!

Enquanto os sindicalistas de mesa e os políticos de gabinete negociavam migalhas nos palanques oficiais, vocês fizeram o que sempre fez a classe que se nega a ser rebanho: desceram aos territórios, sujaram as botas na lama da luta e ocuparam as esquinas com bandeiras negras e vermelhas. De Contagem a Vitória, de Cachoeiro de Itapemirim a Salvador, passando por cada cidade de interior onde o giz e a coragem escrevem “propriedade é roubo”, vocês demonstraram que o Primeiro de Maio só tem sentido quando é feito por aqueles que constroem o mundo com as próprias mãos — não por seus patrões ou seus capatazes. Não foi um desfile, foi uma trincheira. E é assim que se forja a revolução: na rua, na fábrica, na escola ocupada, no beco onde a polícia teme entrar.

Quero destacar a decisão acertada de levar a propaganda libertária exatamente para onde ela mais incomoda: os bairros operários, as periferias, os assentamentos, os portões das unidades fabris. Enquanto certas esquerdas se contentam em ocupar apenas as redes digitais ou os palcos institucionais, a UAF e a FACA entenderam que a ideia anarquista só floresce no suor, na fome e na revolta concreta.

Mais de catorze cidades em quatro estados — Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia — viram a insurreição silenciosa das assembleias de bairro, das panfletagens relâmpago, das faixas amarradas a viadutos e das rodas de conversa. Em cada roda, em cada palavra, plantou-se a semente do contra-poder: a autogestão, o apoio mútuo, a recusa da representação. Isso é estar entre os explorados e oprimidos — não de cima para baixo, mas lado a lado, ombro a ombro, sem vanguardas nem messias.

O Primeiro de Maio anarquista não é data comemorativa; é data de combate. E a lição que fica, companheirxs, é que não se espera o “momento certo” nem se depende de nenhuma conjuntura favorável. Faz-se a ação direta aqui, agora, com o que se tem. As ações descentralizadas em mais de catorze cidades mostram o poder da horizontalidade: não há centro que comande, nem liderança que decida — há apenas a chama que se espalha por contágio.

Que sirva de exemplo para todxs aqueles que ainda acreditam que o anarquismo é utopia: utopia é acreditar que o Estado vai acabar com a exploração. O que vimos foi a potência real de pessoas comuns — metalúrgicos, professores precarizados, entregadores, estudantes, mães solo, camponeses sem terra — construindo a rebelião no cotidiano. Isso, sim, é a Internacional na prática.

Por fim, um chamado: que este Primeiro de Maio não acabe nunca. Que as rodas da FACA e os núcleos da UAF se multipliquem em cada esquina, cada fábrica, cada latifúndio, cada cozinha comunitária. Que a Bahia, o Espírito Santo, o Rio e Minas sejam apenas o começo. Que venham o Pará, o Ceará, o Rio Grande do Sul, o sertão e a periferia de todas as capitais. O anarquismo não se pede licença para existir. Existimos na fuga da cadeia, na greve selvagem, na ocupação de terra, na escola livre.

Parabéns a todxs que sujaram as mãos de tinta, de piche e de esperança. Sigamos em frente: nem de joelhos diante do patrão, nem de costas para a luta. A revolução é como um incêndio — não se negocia com as chamas. E vocês provaram que o Primeiro de Maio ainda é nosso, inteiramente nosso, sem bandeiras nacionais nem hinos de caserna. Até a vitória e que a terra seja de quem trabalha!

Liberto Herrera, um punho entre muitos.

Español

El 1º de Mayo horizontal de la UAF y la FACA

Compañerxs de la Unión Anarquista Federal (UAF) y de la Federación Anarquista Capixaba (FACA), ¡mi puño cerrado y mi corazón en llamas van para ustedes en este Primero de Mayo que aún resuena en las calles!

Mientras los sindicalistas de mesa y los políticos de despacho negociaban migajas en los palcos oficiales, ustedes hicieron lo que siempre ha hecho la clase que se niega a ser rebaño: bajaron a los territorios, ensuciaron sus botas en el barro de la lucha y ocuparon las esquinas con banderas negras y rojas. De Contagem a Vitória, de Cachoeiro de Itapemirim a Salvador, pasando por cada ciudad del interior donde la tiza y el coraje escriben “la propiedad es robo”, demostraron que el Primero de Mayo solo tiene sentido cuando lo hacen aquellos que construyen el mundo con sus propias manos —no sus patrones ni sus capataces. No fue un desfile, fue una trinchera. Y así es como se forja la revolución: en la calle, en la fábrica, en la escuela ocupada, en el callejón donde la policía teme entrar.

Quiero destacar la acertada decisión de llevar la propaganda libertaria exactamente a donde más incomoda: los barrios obreros, las periferias, los asentamientos, las puertas de las fábricas. Mientras ciertas izquierdas se contentan con ocupar solo las redes digitales o los escenarios institucionales, la UAF y la FACA entendieron que la idea anarquista solo florece en el sudor, el hambre y la revuelta concreta.

Más de catorce ciudades en cuatro estados —Minas Gerais, Río de Janeiro, Espírito Santo y Bahía— vieron la insurrección silenciosa de las asambleas de barrio, los panfleteos relámpago, las pancartas atadas a los viaductos y los círculos de conversación. En cada círculo, en cada palabra, se sembró la semilla del contrapoder: la autogestión, el apoyo mutuo, el rechazo de la representación. Eso es estar entre los explotados y oprimidos —no de arriba abajo, sino lado a lado, hombro con hombro, sin vanguardias ni mesías.

El Primero de Mayo anarquista no es fecha conmemorativa; es fecha de combate. Y la lección que queda, compañerxs, es que no se espera el “momento correcto” ni se depende de ninguna coyuntura favorable. Se hace la acción directa aquí, ahora, con lo que se tiene. Las acciones descentralizadas en más de catorce ciudades muestran el poder de la horizontalidad: no hay centro que mande, ni liderazgo que decida —hay solo la llama que se propaga por contagio.

Que sirva de ejemplo para todes aquellos que aún creen que el anarquismo es utopía: utopía es creer que el Estado va a acabar con la explotación. Lo que vimos fue la potencia real de personas comunes —metalúrgicos, docentes precarizados, repartidores, estudiantes, madres solteras, campesinos sin tierra— construyendo la rebelión en lo cotidiano. Eso, sí, es la Internacional en la práctica.

Finalmente, un llamado: que este Primero de Mayo no termine nunca. Que los círculos de la FACA y los núcleos de la UAF se multipliquen en cada esquina, cada fábrica, cada latifundio, cada cocina comunitaria. Que Bahía, Espírito Santo, Río y Minas sean solo el comienzo. Que vengan Pará, Ceará, Río Grande del Sur, el sertón y la periferia de todas las capitales. El anarquismo no pide permiso para existir. Existimos en la fuga de la cárcel, en la huelga salvaje, en la ocupación de tierra, en la escuela libre.

Felicidades a todes que ensuciaron sus manos de tinta, de brea y de esperanza. Sigamos adelante: ni de rodillas ante el patrón, ni de espaldas a la lucha. La revolución es como un incendio —no se negocia con las llamas. Y ustedes demostraron que el Primero de Mayo sigue siendo nuestro, enteramente nuestro, sin banderas nacionales ni himnos de cuartel. ¡Hasta la victoria y que la tierra sea de quien la trabaja!

Liberto Herrera, un puño entre muchos.


English

The Horizontal May 1st of the UAF and FACA

Comrades of the Federal Anarchist Union (UAF) and the Capixaba Anarchist Federation (FACA), my clenched fist and my heart on fire go out to you on this First of May that still echoes in the streets!

While the union bureaucrats and office politicians were negotiating crumbs from official stages, you did what the class that refuses to be livestock has always done: you went down to the territories, muddied your boots in the mire of struggle, and occupied street corners with black and red flags. From Contagem to Vitória, from Cachoeiro de Itapemirim to Salvador, passing through every inland town where chalk and courage write “property is theft,” you demonstrated that May Day only makes sense when it is carried out by those who build the world with their own hands — not by their bosses or their overseers. It was not a parade; it was a trench. And that is how revolution is forged: in the street, in the factory, in the occupied school, in the alley where the police fear to tread.

I want to highlight the wise decision to take libertarian propaganda exactly where it causes the most discomfort: working-class neighborhoods, the peripheries, settlements, the gates of factories. While certain leftists are content with occupying only digital networks or institutional stages, the UAF and FACA understood that the anarchist idea only flourishes in sweat, hunger, and concrete revolt.

More than fourteen cities across four states — Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, and Bahia — witnessed the silent insurrection of neighborhood assemblies, lightning leafleting, banners tied to overpasses, and discussion circles. In every circle, in every word, the seed of counter-power was planted: self-management, mutual aid, the rejection of representation. That is what it means to be among the exploited and oppressed — not from above, but side by side, shoulder to shoulder, without vanguards or messiahs.

Anarchist May Day is not a celebratory date; it is a date of combat. And the lesson that remains, comrades, is that one does not wait for the “right moment” nor depend on any favorable conjuncture. One does direct action here, now, with what one has. The decentralized actions in over fourteen cities show the power of horizontality: there is no center that commands, no leadership that decides — there is only the flame that spreads by contagion.

Let this serve as an example to all those who still believe anarchism is a utopia: utopia is believing that the State will end exploitation. What we saw was the real power of ordinary people — metalworkers, precarious teachers, delivery workers, students, single mothers, landless peasants — building rebellion in daily life. That, indeed, is the International in practice.

Finally, a call: may this First of May never end. May FACA’s circles and UAF’s nuclei multiply on every corner, every factory, every large estate, every community kitchen. Let Bahia, Espírito Santo, Rio, and Minas be just the beginning. Let Pará, Ceará, Rio Grande do Sul, the backlands, and the peripheries of all capitals come forth. Anarchism does not ask permission to exist. We exist in the escape from prison, in the wildcat strike, in land occupation, in the free school.

Congratulations to all who dirtied their hands with ink, with pitch, and with hope. Let us move forward: neither on our knees before the boss, nor turning our backs on the struggle. Revolution is like a fire — you do not negotiate with flames. And you have proven that May Day is still ours, entirely ours, without national flags or barrack anthems. Until victory and may the land belong to those who work it!

Liberto Herrera, one fist among many.

Vida precária, punho erguido: organizar ou morrer

Chega.

Chega de esperar o salvador de paletó, o sindicato de mãos dadas com o patrão, o político que vai nos dar a mão enquanto a outra nos apunhala pelas costas. Chega de assistir, de lamentar, de compartilhar artigo de opinião e achar que isso é luta. A passividade é o nosso verdadeiro algoz. Ela é a saliva que lubrifica a guilhotina.

Olhem ao redor. A precarização não é acidente, é projeto. Seu salário que não dá pra carne, seu aluguel que come três quartos do mês, seu tempo de vida trocado por migalhas e um atestado de burnout – tudo arquitetado. As guerras não são loucura de poucos: são negócio. Cada bomba que explode longe é financiada pelos mesmos bancos que te negam crédito, pelos mesmos fundos que compram sua dívida, pelos mesmos governos que nos chamam de “ameaça” quando pegamos numa bandeira negra.

E a decadência burguesa? Olhem para o espetáculo. Celebridades vendendo ansiedade como estilo de vida, influenciadores pregando resiliência pra quem não tem o que comer, uma cultura que transforma desespero em entretenimento. O inimigo não está apenas na fábrica, no quartel ou no palácio. Ele está dentro da nossa cabeça quando acreditamos que “não tem jeito”, que “é assim mesmo”, que o máximo que podemos fazer é votar e rezar.

Mentira.

A resposta não virá de cima. Nunca veio. Virá de nós, dos nossos punhos suados, das nossas costas doloridas, das nossas noites em claro costurando lona para barricada ou imprimindo panfleto na gráfica do companheiro que arrisca o couro. A resposta é luta. E luta sem organização é espasmo.

Por isso, para o Primeiro de Maio de 2026, não quero ver bandeira institucional hasteada por burocrata de gravata. Quero ver assembleia no bairro, piquete na porta do armazém que explora, greve geral começando às 6h da manhã. Quero ver o trabalho parado, a produção interrompida, o silêncio ensurdecedor das máquinas que só se calam quando nós mandamos. Quero ver os precarizados – entregadores, terceirizados, intermitentes, os “sem-direitos” – descobrindo que o poder está na rua, não no aplicativo.

Organização não é burocracia. É reconhecer o companheiro do lado, saber em quem confiar quando o gás lacrimogêneo descer. É ter um plano, um fundo de resistência, uma gráfica, um telégrafo humano. É aprender com os que vieram antes – os anarquistas que tombaram nas fábricas, nos campos, nas guerras civis – e aplicar ao nosso tempo. O inimigo tem inteligência artificial e satélite. Nós temos o que ele nunca terá: a certeza de que a terra é de quem nela põe os pés e o suor.

1º de Maio de 2026: vamos parar o mundo. Não com pedido, não com abaixo-assinado, não com marcha light autorizada pela prefeitura. Vamos parar com ação direta. O dia em que nenhum caminhão circular, nenhum lixo for coletado, nenhuma aula for dada, nenhum prato for lavado no restaurante. O dia em que a burguesia olhar pela janela e ouvir o silêncio da produção parada – o barulho mais aterrorizante que existe pra quem vive de explorar.

A precarização da vida só vence quando aceitamos migalhas em troca de sossego. As guerras só continuam enquanto a classe trabalhadora se mata entre si por bandeirinhas. A decadência só é suportável enquanto nos anestesiamos com consumo e futilidade.

Nosso grito não é por “inclusão” no sistema. Nosso grito é pelo fim do sistema.

Organizar ou ser aniquilado. Lutar ou apodrecer.

Dia 1º de Maio de 2026, a terra treme. E não será terremoto. Serão nossas botas no asfalto.

Vidas precárias, nenhum minuto a mais de passividade. Às ruas, companheiros. O futuro não espera – ele se toma.

Liberto Herrera.

Español:

Vida precaria, puño en alto: organizarse o morir

Basta.

Basta de esperar al salvador de corbata, al sindicato de manos dadas con el patrón, al político que nos dará la mano mientras la otra nos apuñala por la espalda. Basta de mirar, de lamentarse, de compartir artículos de opinión y creer que eso es lucha. La pasividad es nuestra verdadera verdugo. Es la saliva que lubrica la guillotina.

Miren a su alrededor. La precarización no es un accidente, es un proyecto. Su salario que no alcanza para carne, su alquiler que devora tres cuartas partes del mes, su tiempo de vida cambiado por migajas y un certificado de agotamiento laboral: todo diseñado. Las guerras no son locura de unos pocos: son negocio. Cada bomba que estalla lejos es financiada por los mismos bancos que le niegan crédito, por los mismos fondos que compran su deuda, por los mismos gobiernos que nos llaman “amenaza” cuando empuñamos una bandera negra.

¿Y la decadencia burguesa? Miren el espectáculo. Celebridades vendiendo ansiedad como estilo de vida, influencers predicando resiliencia para quien no tiene qué comer, una cultura que transforma la desesperación en entretenimiento. El enemigo no está solo en la fábrica, en el cuartel o en el palacio. Está dentro de nuestra cabeza cuando creemos que “no hay solución”, que “es así nomás”, que lo máximo que podemos hacer es votar y rezar.

Mentira.

La respuesta no vendrá de arriba. Nunca vino. Vendrá de nosotros, de nuestros puños sudados, de nuestras espaldas doloridas, de nuestras noches en vela cosiendo lona para la barricada o imprimiendo panfletos en la gráfica del compañero que arriesga el pellejo. La respuesta es lucha. Y lucha sin organización es espasmo.

Por eso, para el Primero de Mayo de 2026, no quiero ver bandera institucional izada por burócratas de corbata. Quiero ver asamblea en el barrio, piquete en la puerta del depósito que explota, huelga general empezando a las 6 de la mañana. Quiero ver el trabajo parado, la producción interrumpida, el silencio ensordecedor de las máquinas que solo callan cuando nosotros lo ordenamos. Quiero ver a los precarizados —repartidores, tercerizados, intermitentes, los “sin derechos”— descubriendo que el poder está en la calle, no en la aplicación.

Organización no es burocracia. Es reconocer al compañero de al lado, saber en quién confiar cuando el gas lacrimógeno baje. Es tener un plan, un fondo de resistencia, una imprenta, un telégrafo humano. Es aprender de los que vinieron antes —los anarquistas que cayeron en las fábricas, en los campos, en las guerras civiles— y aplicarlo a nuestro tiempo. El enemigo tiene inteligencia artificial y satélites. Nosotros tenemos lo que él nunca tendrá: la certeza de que la tierra es de quien pone los pies y el sudor en ella.

1º de Mayo de 2026: vamos a parar el mundo. No con un pedido, no con una petición de firmas, no con una marcha light autorizada por la alcaldía. Vamos a pararlo con acción directa. El día en que ningún camión circule, ninguna basura sea recolectada, ninguna clase sea dada, ningún plato sea lavado en el restaurante. El día en que la burguesía mire por la ventana y escuche el silencio de la producción detenida —el ruido más aterrador que existe para quien vive de explotar.

La precarización de la vida solo vence cuando aceptamos migajas a cambio de tranquilidad. Las guerras solo continúan mientras la clase trabajadora se mata entre sí por banderitas. La decadencia solo es soportable mientras nos anestesian con consumo y frivolidad.

Nuestro grito no es por “inclusión” en el sistema. Nuestro grito es por el fin del sistema.

Organizarse o ser aniquilados. Luchar o pudrirse.

Día 1º de Mayo de 2026, la tierra tiembla. Y no será un terremoto. Serán nuestras botas sobre el asfalto.

Vidas precarias, ni un minuto más de pasividad. ¡A las calles, compañeros! El futuro no espera — se toma.

Liberto Herrera.

English:

Precarious life, fist raised: organize or die

Enough.

Enough of waiting for the savior in a tie, the union hand in hand with the boss, the politician who offers a hand while stabbing us in the back with the other. Enough of watching, lamenting, sharing opinion pieces and calling that struggle. Passivity is our true executioner. It is the saliva that greases the guillotine.

Look around. Precarization is not an accident – it’s a project. Your wage that won’t buy meat, your rent that eats three-quarters of your month, your lifetime traded for crumbs and a burnout certificate – all of it designed. Wars are not the madness of a few: they are business. Every bomb that explodes far away is financed by the same banks that deny you credit, by the same funds that buy your debt, by the same governments that call us a “threat” when we raise the black flag.

And bourgeois decadence? Look at the spectacle. Celebrities selling anxiety as a lifestyle, influencers preaching resilience to those with nothing to eat, a culture that turns despair into entertainment. The enemy is not only in the factory, the barracks, or the palace. He is inside our heads when we believe that “there’s no way out”, that “that’s just how it is”, that the most we can do is vote and pray.

Lie.

The answer will not come from above. It never has. It will come from us, from our sweaty fists, from our aching backs, from our sleepless nights sewing tarp for the barricade or printing flyers at the comrade’s shop who risks their hide. The answer is struggle. And struggle without organization is a mere spasm.

That is why, for May Day 2026, I don’t want to see an institutional flag raised by bureaucrats in ties. I want to see a neighborhood assembly, a picket line at the door of the warehouse that exploits, a general strike starting at 6 AM. I want to see work stopped, production halted, the deafening silence of machines that only shut up when we command them. I want to see the precarious workers – delivery drivers, outsourced workers, gig workers, the “rightless” – discovering that power lies in the street, not in the app.

Organization is not bureaucracy. It is recognizing the comrade next to you, knowing who to trust when the tear gas comes down. It is having a plan, a solidarity fund, a printing press, a human telegraph. It is learning from those who came before – the anarchists who fell in factories, in fields, in civil wars – and applying it to our own time. The enemy has artificial intelligence and satellites. We have what he will never have: the certainty that the land belongs to those who put their feet and sweat on it.

May 1st, 2026: we will stop the world. Not with a request, not with a petition, not with a police-approved march. We will stop it with direct action. The day when no truck moves, no trash is collected, no class is taught, no dish is washed in the restaurant. The day when the bourgeoisie looks out the window and hears the silence of halted production – the most terrifying sound that exists for those who live by exploitation.

The precarization of life only wins when we accept crumbs in exchange for quiet. Wars only continue while the working class kills each other over little flags. Decadence is only bearable as long as we are numbed with consumption and frivolity.

Our cry is not for “inclusion” in the system. Our cry is for the end of the system.

Organize or be annihilated. Fight or rot.

May Day 2026, the earth shakes. And it will not be an earthquake. It will be our boots on the asphalt.

Precarious lives, not one more minute of passivity. To the streets, comrades. The future does not wait – it is taken.

Liberto Herrera.


Agir hoje para não obedecer amanhã: a força cotidiana da autonomia

A autonomia não é uma promessa distante, uma miragem que surgirá no horizonte depois da revolução. Ela se faz no suor do agora, no gesto cotidiano de recusar as amarras que nos sufocam. Enquanto muitos se perdem na ilusão de que a transformação social é um evento futuro — uma grande noite em que, finalmente, tomaremos o poder —, nós, anarquistas, sabemos que o amanhã é moldado pelas mãos que ousam construir hoje. A autonomia não é herança que se recebe; é conquista que se tece na desobediência de cada instante. Esperar é consentir. Agir é existir.

A história nos mostra que as mudanças radicais nunca foram decretadas de cima para baixo, mas brotaram das trincheiras da vida real. As fábricas recuperadas, os hortos comunitários, as escolas livres, as redes de apoio mútuo: todas essas sementes de emancipação não aguardaram a permissão de um Estado ou a data marcada por uma vanguarda. Elas surgiram quando pessoas comuns, cansadas da espera, disseram “basta” e estenderam as mãos para construir o novo sob os escombros do velho. É nesse terreno — áspero, imediato, imperfeito — que a autonomia deixa de ser ideia e se torna força viva.

Dizer que agimos “enquanto esperamos” a grande transformação é um contrassenso perigoso. É justamente o contrário: são as práticas autônomas de hoje que forjam a subjetividade rebelde de amanhã. Se nos acostumamos a delegar, a obedecer, a adiar a nossa potência, estaremos apenas reproduzindo dentro do movimento a mesma lógica de dominação que dizemos combater. A autonomia não é um ponto de chegada; é um método. Cada vez que decidimos coletivamente sobre nossas vidas, cada vez que rompemos com a lógica do consumo e da hierarquia, estamos antecipando o mundo que queremos ver. E nessa antecipação, criamos as condições materiais e subjetivas que tornam a revolução não apenas possível, mas inevitável.

Acreditar que a liberdade plena só virá depois de uma “tomada do poder” é cair na armadilha do pensamento autoritário. Para o anarquismo, os meios e os fins são indissociáveis. Se usamos meios autoritários, hierárquicos ou adiamos a liberdade para um futuro incerto, jamais chegaremos a um resultado libertário. Por isso, a construção da autonomia é uma militância de todos os dias. É no presente que forjamos a confiança mútua, a solidariedade concreta e a capacidade de autogestão. É agora que ensaiamos, erramos, aprendemos e fortalacemos os laços que farão frente ao leviatã quando ele tremer.

Não há transformação social sem sujeitos transformados, e esses sujeitos não nascem da noite para o dia. Eles são forjados na prática incessante da autonomia: na vizinha que organiza com as outras a segurança do beco contra a violência policial, no coletivo que ocupa um prédio abandonado e decide em assembleia os rumos da moradia, nos trabalhadores que retomam os meios de produção sem pedir licença ao patrão. Cada ato de recusa e criação é uma célula do novo mundo. E quanto mais células formamos, mais o corpo social adoece de liberdade, até que a estrutura do poder já não tenha onde se sustentar.

Portanto, camaradas, deixemos de lado a ansiedade pelo “grande dia” e concentremos nossa fúria criadora no que podemos fazer com as mãos, agora, neste chão que pisamos. A autonomia não é um prêmio para os que souberem esperar; é uma ferramenta para os que se recusam a esperar. Cada hora vivida em autogestão é uma hora de revolução real. Cada laço horizontal que tecemos é uma derrota para a lógica da dominação. Não construímos autonomia para a revolução: construímos autonomia como a própria revolução em movimento. O amanhã que queremos já começou — e começa agora, na coragem de quem decide ser, hoje, o agente da sua própria vida.

Liberto Herrera.

ESPAÑOL:

Actuar hoy para no obedecer mañana: la fuerza cotidiana de la autonomía

La autonomía no es una promesa lejana, un espejismo que aparecerá en el horizonte después de la revolución. Se forja en el sudor del ahora, en el gesto cotidiano de rechazar las cadenas que nos asfixian. Mientras muchos se pierden en la ilusión de que la transformación social es un evento futuro —una gran noche en la que, finalmente, tomaremos el poder—, nosotros, los anarquistas, sabemos que el mañana se moldea con las manos que se atreven a construir hoy. La autonomía no es herencia que se recibe; es conquista que se teje en la desobediencia de cada instante. Esperar es consentir. Actuar es existir.

La historia nos muestra que los cambios radicales nunca fueron decretados desde arriba, sino que brotaron de las trincheras de la vida real. Las fábricas recuperadas, las huertas comunitarias, las escuelas libres, las redes de apoyo mutuo: todas esas semillas de emancipación no esperaron el permiso de un Estado ni la fecha marcada por una vanguardia. Surgieron cuando personas comunes, hartas de esperar, dijeron “basta” y tendieron las manos para construir lo nuevo sobre los escombros de lo viejo. Es en ese terreno —áspero, inmediato, imperfecto— donde la autonomía deja de ser idea y se convierte en fuerza viva.

Decir que actuamos “mientras esperamos” la gran transformación es un contrasentido peligroso. Es justamente al revés: son las prácticas autónomas de hoy las que forjan la subjetividad rebelde de mañana. Si nos acostumbramos a delegar, a obedecer, a aplazar nuestra potencia, estaremos reproduciendo dentro del movimiento la misma lógica de dominación que decimos combatir. La autonomía no es un punto de llegada; es un método. Cada vez que decidimos colectivamente sobre nuestras vidas, cada vez que rompemos con la lógica del consumo y la jerarquía, estamos anticipando el mundo que queremos ver. Y en esa anticipación, creamos las condiciones materiales y subjetivas que hacen que la revolución no solo sea posible, sino inevitable.

Creer que la libertad plena solo llegará después de una “toma del poder” es caer en la trampa del pensamiento autoritario. Para el anarquismo, los medios y los fines son indisociables. Si usamos medios autoritarios, jerárquicos o aplazamos la libertad para un futuro incierto, jamás alcanzaremos un resultado libertario. Por eso, la construcción de la autonomía es una militancia de cada día. Es en el presente donde forjamos la confianza mutua, la solidaridad concreta y la capacidad de autogestión. Es ahora donde ensayamos, erramos, aprendemos y fortalecemos los lazos que harán frente al Leviatán cuando este tiemble.

No hay transformación social sin sujetos transformados, y esos sujetos no nacen de la noche a la mañana. Se forjan en la práctica incesante de la autonomía: en la vecina que organiza con otras la seguridad del callejón contra la violencia policial, en el colectivo que ocupa un edificio abandonado y decide en asamblea los rumbos de la vivienda, en los trabajadores que retoman los medios de producción sin pedir permiso al patrón. Cada acto de rechazo y creación es una célula del mundo nuevo. Y cuantas más células formamos, más enferma el cuerpo social de libertad, hasta que la estructura del poder ya no tiene dónde sostenerse.

Por tanto, camaradas, dejemos de lado la ansiedad por el “gran día” y concentremos nuestra furia creadora en lo que podemos hacer con las manos, ahora, en este suelo que pisamos. La autonomía no es un premio para quienes saben esperar; es una herramienta para quienes se niegan a esperar. Cada hora vivida en autogestión es una hora de revolución real. Cada lazo horizontal que tejemos es una derrota para la lógica de la dominación. No construimos autonomía para la revolución: construimos autonomía como la propia revolución en movimiento. El mañana que queremos ya comenzó —y comienza ahora, en la valentía de quien decide ser, hoy, el agente de su propia vida.

Liberto Herrera.

ENGLISH:

Act today so as not to obey tomorrow: the everyday force of autonomy

Autonomy is not a distant promise, a mirage that will appear on the horizon after the revolution. It is forged in the sweat of the now, in the everyday gesture of refusing the chains that suffocate us. While many get lost in the illusion that social transformation is a future event—a great night when we will finally seize power—we anarchists know that tomorrow is shaped by the hands that dare to build today. Autonomy is not an inheritance to be received; it is a conquest woven through the disobedience of every moment. To wait is to consent. To act is to exist.

History shows us that radical changes have never been decreed from above; they have sprung from the trenches of real life. Reclaimed factories, community gardens, free schools, mutual aid networks: all these seeds of emancipation did not wait for permission from a state or a date set by a vanguard. They arose when ordinary people, tired of waiting, said “enough” and reached out their hands to build the new upon the ruins of the old. It is on this ground—rough, immediate, imperfect—that autonomy ceases to be an idea and becomes a living force.

To say that we act “while we wait” for the great transformation is a dangerous contradiction. It is precisely the opposite: it is today’s autonomous practices that forge the rebellious subjectivity of tomorrow. If we become accustomed to delegating, obeying, postponing our power, we will be reproducing within the movement the very logic of domination we claim to fight. Autonomy is not a destination; it is a method. Every time we make collective decisions about our lives, every time we break with the logic of consumption and hierarchy, we are anticipating the world we want to see. And in that anticipation, we create the material and subjective conditions that make revolution not only possible, but inevitable.

Believing that full freedom will only come after a “seizure of power” is to fall into the trap of authoritarian thinking. For anarchism, means and ends are inseparable. If we use authoritarian, hierarchical means or postpone freedom for an uncertain future, we will never achieve a libertarian outcome. That is why the construction of autonomy is a day‑to‑day militancy. It is in the present that we forge mutual trust, concrete solidarity, and the capacity for self‑management. It is now that we rehearse, err, learn, and strengthen the bonds that will stand up to Leviathan when it trembles.

There is no social transformation without transformed subjects, and such subjects are not born overnight. They are forged in the relentless practice of autonomy: in the neighbor who organizes with others to secure the alley against police violence, in the collective that occupies an abandoned building and decides by assembly the direction of housing, in the workers who take back the means of production without asking the boss for permission. Every act of refusal and creation is a cell of the new world. And the more cells we form, the more the social body sickens with freedom, until the structure of power has no ground left to stand on.

Therefore, comrades, let us set aside the anxiety for the “great day” and focus our creative fury on what we can do with our hands, now, on this ground we stand on. Autonomy is not a prize for those who know how to wait; it is a tool for those who refuse to wait. Every hour lived in self‑management is an hour of real revolution. Every horizontal bond we weave is a defeat for the logic of domination. We do not build autonomy for the revolution: we build autonomy as the revolution itself in motion. The tomorrow we want has already begun—and it begins now, in the courage of those who decide to be, today, the agents of their own lives.

Liberto Herrera.

Desconstruindo Altares: Por um Anarquismo Sem Gurus e Sem Compromissos com o Poder

A figura do guru, do intelectual estrela ou do “companheiro de luta” celebridade é um veneno que corrói pela raiz os princípios do anarquismo. O caso exposto sobre Noam Chomsky é a prova cabal e vergonhosa dessa contradição. Aqui temos um homem celebrado por setores do movimento como um farol libertário, enquanto na prática cavava relações privilegiadas com bilionários como Epstein, acumulava uma fortuna milionária sob a gestão dessa mesma elite que diz combater e usava sua influência para defender o indefensável, de negacionistas a regimes autoritários de esquerda. Isso não é um deslize; é a marca registrada de quem opera dentro da lógica do poder, não contra ela. O anarquismo não precisa de heróis em pedestais, precisa de coerência nas trincheiras.

A adulação a celebridades como Chomsky revela uma preguiça intelectual e uma submissão psicológica profundamente anti-libertárias. Em vez de construirmos coletivamente nossas análises a partir das lutas concretas, corremos o risco de delegar o pensamento crítico a uma figura supostamente iluminada. Passamos a seguir frases de efeito, a repetir chavões e a justificar, por lealdade cega a um nome, contradições inadmissíveis. Como pode um movimento que prega a autogestão e a desconfiança do poder constituído cair na armadilha de criar seus próprios ídolos? Cada guru que erguemos é um passo atrás na longa marcha pela emancipação total.

O anti-imperialismo de salão, aquele que faz vista grossa às ditaduras “do lado de cá” em nome de combater o Império, é uma doença oportunista que Chomsky exemplifica tragicamente. Solidariedade seletiva não é solidariedade, é realpolitik disfarçada de radicalismo. Enquanto, por exemplo, silenciava sobre a perseguição brutal a dissidentes cubanos na “Primavera Negra”, sua voz era alta para defender figuras abjetas na Europa. Essa dupla moral revela que, para alguns, a causa libertária é um palco para performance, não um compromisso inquebrantável com os oprimidos, sem asteriscos nem exceções convenientes.

A relação com Jeffrey Epstein é a face mais nua e repugnante dessa capitulação. Não se trata apenas de uma “má escolha” de assessor financeiro. Trata-se da normalização, pelo apoio pessoal e pela minimização dos crimes, de um monstro que representa o ápice da depravação patriarcal e capitalista. O que diz sobre um “anarquista” que, diante de acusações de tráfico sexual infantil, responde com preocupação sobre o “tratamento pela imprensa” do seu amigo bilionário? Diz tudo. Diz que os laços de classe e de privilégio, no fim, falaram mais alto que qualquer princípio.

Portanto, é hora de uma limpeza ética radical em nossos círculos. Anarquismo não é um clube de fãs, nem uma marca que precisa de embaixadores famosos. É uma prática diária de horizontalidade, de apoio mútuo e de confronto direto com todas as hierarquias. Nossas referências devem ser os coletivos em luta, os movimentos de base, as pessoas comuns que organizam a raiva e a esperança no cotidiano, não os professores renomados que negociam com o diabo nos corredores do poder. A confiança deve estar dispersa, nunca concentrada em um único nome.

Que o caso Chomsky sirva como lição final: nenhum ícone é insubstituível, e nenhuma celebridade está imune à corrupção do sistema que diz combater. Nossa força reside na nossa capacidade de pensar e agir por nós mesmos, coletivamente, sem intermediários e sem pastores. Desfaçamos os altares, queimemos os livros sagrados de autores intocáveis e sigamos em frente, com os pés no chão da luta e os olhos voltados para um horizonte sem ídolos, onde a liberdade de cada um seja obra de todos. Nem líderes, nem gurus, nem mestres. Apenas companheirismo solidário e crítica permanente. 

Liberto Herrera.

Nem Washington nem Pequim: A Ilusão de Trocar de Carcereiro

Em um grupo do qual participo, solicitaram minha opinião sobre o embate entre Estados Unidos x China, questionando se a ascensão do Dragão não seria um golpe fatal no imperialismo ianque e uma aurora de maior liberdade para os povos oprimidos. Minha resposta é um retumbante e claro NÃO. Irmãs e irmãos, não se deixem enganar pela farsa geopolítica! Não passamos de espectadores de uma troca de guardas na mesma prisão. A queda de um carcereiro não significa a libertação dos presos; significa apenas que um novo algoz, talvez mais eficiente e implacável, assume o controle das chaves.

A China não é o antídoto para o veneno estadunidense; é meramente uma dose mais concentrada do mesmo veneno, disfarçada sob a roupagem de “comunismo” e “harmonia”. Seu modelo de capitalismo de vigilância de Estado, combinando exploração hiper-capitalista com um controle social orwelliano, não é uma alternativa ao imperialismo, mas a sua evolução mais perversa. O que vemos não é o fim da dominação, mas a sua modernização: as correntes do novo senhor não são menos pesadas, apenas são digitais, feitas de reconhecimento facial, crédito social e uma teia de dívidas que amarra o Sul Global num novo tipo de colonialismo. Por exemplo, a tal “Nova Rota da Seda” não é pensada para a solidariedade internacional; é a construção de uma nova espinha dorsal para a extração de riqueza, substituindo o FMI pelo Banco de Desenvolvimento da China, mas mantendo intacta a lógica de subjugação.

Portanto, camaradas, não celebrem esta mudança no topo da pirâmide. É uma ilusão perigosa acreditar que um Leviatã é preferível a outro. O imperialismo não é uma característica exclusiva de uma bandeira ou ideologia; é a manifestação lógica e poderosíssima do Estado e do Capital em sua busca infinita por expansão e controle. Trocar um dominador por outro não abala as fundações do cárcere hierárquico em que vivemos. Nossa luta não é para ver quem ocupa o trono, mas para DESTRUIR o trono e todos os que desejam se assentar nele.

Esta conjuntura de tensão, no entanto, não é de todo ruim. É precisamente nas fissuras criadas pelo choque entre estes dois titãs que nós, anarquistas, encontramos nossa oportunidade. Enquanto os Estados se digladiam pelo domínio global, sua atenção é desviada, seu controle sobre os territórios periféricos pode se fragilizar e brechas se abrem. Nossa tarefa é ocupar estas brechas! Devemos transformar a retórica vazia deles em nossa ação direta: organizar sindicatos autônomos nas fábricas, ocupar terras, criar comunidades de apoio mútuo, erguer barricadas contra a repressão de QUALQUER Estado. Nossa agitação deve expor a farsa dos dois lados e mostrar que a única luta válida é a luta pela libertação total, horizontal e federalista.

Dessa forma, não nos importa quem vencer esta batalha de gigantes. Nosso campo é o do povo em luta, contra todos os senhores. Aproveitemos a crise de hegemonia para semear o caos criativo da Anarquia. Enquanto eles disputam o mundo, nós o construiremos nas ruínas do seu poder. Nossa resposta ao embate imperialista não deve ser torcer por um lado, mas intensificar o ataque contra ambos, transformando nosso ideal em movimentos, ações e agitações que preparem o terreno para um mundo verdadeiramente livre, sem mestres nem imperadores. A luta continua, e ela é contra TODOS os Estados!

Liberto Herrera*.

*Texto escrito e publicado em outubro de 2025.

Honremos Octavio Alberola com Luta e Revolução!

Camaradas, a morte do companheiro Octavio Alberola (1928-2025) não é apenas a partida de um velho militante, mas um chamado à ação para nossa geração. Seu legado nos ensina que o anarquismo não é teoria morta, mas prática incendiária contra o Capital e o Estado. Desde as ruas de San Sebastián até as prisões da França, Alberola mostrou que a ética libertária se constrói na luta direta, sem concessões. Hoje, quando o fascismo ressurge disfarçado de democracia, quando o imperialismo esmaga Gaza, quando o Estado brasileiro massacra favelas e o capital chinês escraviza trabalhadores, só há uma resposta possível: organização, rebeldia e ação. A memória do companheiro não se honra com discursos, mas com fogo revolucionário nas veias!

Alberola nos deixou uma lição clara: o anarquismo que não confronta o poder é traição. Ele não hesitou em atacar Franco, sequestrar fascistas ou desafiar prisões, porque sabia que a liberdade não se negocia. Enquanto reformistas pedem “paciência histórica” e partidos de esquerda burocratizam a revolta, nós, anarquistas, devemos radicalizar as ruas. Seja nas ocupações gregas contra a austeridade, nos levantes populares no Brasil, nas greves selvagens na China ou na resistência palestina, nossa tarefa é desmantelar o Estado onde ele se erguer. Alberola não fugiu da luta — e nós também não podemos!

A história não perdoará os covardes. O capitalismo avança com genocídios, ecocídios e precarização global, e só a ação direta pode detê-lo. Alberola sabia que explosivos simbólicos, greves gerais e solidariedade internacional eram armas mais poderosas que votos ou petições. No Brasil, onde milícias e latifúndio reinam, na Grécia onde a polícia espanca imigrantes, na China onde sindicatos são ilegais e em Gaza onde o sionismo pratica limpeza étnica, a resposta é a mesma: autogestão, apoio mútuo e insurreição. Não há “transição pacífica” possível — só a ruptura!

O reformismo é a morte da revolução. Alberola rejeitou a “Reconciliação Nacional” espanhola porque entendia que pactos com o Estado são derrotas. Hoje, quando falsas esquerdas nos pedem para confiar em governos “progressistas”, devemos lembrar: Lula prende anarquistas, o Syriza entregou a Grécia aos bancos, e na China o PCC esmaga qualquer dissidência. Nossa luta é contra todo poder, sem ilusões. Diversos exemplos históricos mostram o caminho: autodefesa, horizontalidade e internacionalismo. Alberola vive nesses combates!

Camaradas, o século XXI será anarquista ou não será. Octavio Alberola partiu, mas seu espírito incendia cada ocupação, cada barricada, cada gesto de rebeldia. Não o honraremos com velas, mas com pólvora. Não com lamentos, mas com organização popular nos bairros, nas fábricas, nos campos. Do Brasil à Palestina, ergamos a bandeira negra e vermelha da revolução social. Como Alberola gritou até o fim: “Ni Dios, ni Patrón, ni Estado!” A luta continua — e a vitória será nossa!

Liberto Herrera*.

*Texto publicado em agosto de 2025.

A Prisão das 6 de La Suiza: A Máscara Caída do Estado Capitalista

Eis que se inicia o cumprimento da pena de reclusão das 6 de La Suiza. Essa condenação das sindicalistas não é um “erro judicial” ou excesso pontual. É a expressão nua da lógica do Estado-Capital: uma engrenagem projetada para esmagar quem ousa organizar-se contra a exploração. Quando trabalhadoras combativas são encarceradas por defenderem direitos básicos, enquanto fascistas desfilam impunes, revela-se o verdadeiro rosto da “justiça de classe”. O sistema não tolera ameaças à sua ordem — seja nas fábricas de Myanmar ou nas ruas de Xixón. A prisão é a resposta previsível de um regime que protege propriedade, não pessoas; lucro, não vida.

Esperar clemência do Estado — como o indulto em análise — é alimentar a mesma ilusão que sustenta o reformismo. O Capital jamais concede liberdade; apenas gerencia sua dosagem para evitar rebeliões. No contexto espanhol, a chamada “Lei da Mordaça”, mantida até por “governos progressistas”, comprova: o aparato estatal existe para criminalizar a dissidência e blindar as elites. Pedir gentileza aos carcereiros é negar que as cadeias foram construídas justamente para nos trancar. O anarquismo sabe: não há diálogo possível com quem lucra com nossas algemas.

A solução não está na súplica, mas na radicalização da luta. Se o Estado responde com prisões a greves e piquetes, nossa resposta deve ser multiplicar ações diretas, redes de apoio mútuo e greves selvagens. As vitórias, mesmo que pequenas, que vemos conquistadas por pressão externa e organização horizontal, mostram o caminho: só a combatividade fere o Capital. Paralisar produção, boicotar marcas, ocupar espaços e expor seus crimes são armas que ferem onde eles doem: no bolso e no controle.

Superar o Capital e o Estado exige construir outro mundo aqui e agora. Cada família apoiada após um terremoto, cada produto menstrual distribuído, cada manifestante protegido da repressão são atos de autogestão que corroem a necessidade do opressor. As 6 de La Suiza não precisam de piedade; precisam que transformemos sua cela em símbolo de insurreição global. Enquanto houver um preso político, nossa luta é por derrubar os muros das prisões — e os do sistema que as ergueu.

A liberdade não será concedida; será tomada pela solidariedade intransigente. Como gritam nas ruas:

Nem um passo atrás!

Liberto Herrera*.

*Texto publicado originalmente em 2025.

Pierre-Joseph Proudhon: ontem e hoje

Pierre-Joseph Proudhon nasceu em 15 de janeiro de 1809 (sim, já se passaram 216 anos!), em Besançon, França. Essa data marca o início da trajetória de um dos pensadores mais influentes do anarquismo e da teoria social moderna. Filho de uma família humilde, Proudhon viveu em um contexto de transformações profundas na Europa pós-Revolução Francesa, o que influenciou sua visão crítica sobre o poder, a propriedade e as desigualdades estruturais. Seu trabalho seminal, “O Que é a Propriedade?”, publicado em 1840, trouxe a célebre frase “A propriedade é um roubo”, desafiando os fundamentos do sistema capitalista e propondo reflexões que ressoam até hoje.

Considerado por muitos como o pai do anarquismo moderno, Proudhon foi pioneiro ao articular uma filosofia política que rejeitava tanto a tirania do Estado quanto as explorações do capitalismo. Sua abordagem buscava um equilíbrio entre a liberdade individual e a solidariedade coletiva, defendendo a autogestão, o federalismo e a criação de associações livres de trabalhadores como alternativa ao modelo estatal. Essas ideias foram fundamentais para os movimentos anarquistas do século XIX e continuam a inspirar debates sobre formas mais justas e horizontais de organização social no século XXI.

No contexto atual, marcado por crises econômicas, desigualdades crescentes e desconfiança nas instituições tradicionais, o pensamento de Proudhon ganha nova relevância, valendo a pena nos dias atuais a leitura de suas obras. Suas críticas à concentração de poder e riqueza oferecem uma lente para analisar os desafios contemporâneos, como a precarização do trabalho, a crise ambiental e as tensões entre globalização e soberania local. Além disso, suas propostas de descentralização e autogestão encontram ecos nas práticas modernas de cooperativismo, economia solidária e movimentos sociais que buscam autonomia e justiça social.

Portanto, Proudhon não é apenas uma figura histórica, mas uma referência viva para aqueles que procuram compreender e transformar o mundo. Sua capacidade de combinar teoria e prática, somada à sua visão crítica e inovadora, faz dele um pensador ainda essencial para os debates do século XXI. Celebrar sua contribuição é não apenas reconhecer seu papel na história do anarquismo, mas também explorar suas ideias como ferramentas para construir sociedades mais livres, igualitárias e sustentáveis.

Liberto Herrera*.

*Texto escrito no ano de 2025.

Nascer livre num mundo de cercas – este é o Liberto

É com uma mistura de entusiasmo e rebeldia que dou as boas-vindas a quem chega. O blog Liberto Herrera nasce hoje, não como um manifesto definitivo, mas como um caderno aberto – um lugar onde poderei registrar, questionar e compartilhar minhas opiniões e visões sobre o anarquismo e o mundo em que vivemos.

Por que Liberto? Porque acredito que a liberdade não é um ponto de chegada distante, mas uma prática cotidiana. É um verbo que se conjuga no plural, na luta contra as cercas – sejam elas do Estado, do capital, ou daquelas que carregamos na cabeça sem perceber. Este blog será, acima de tudo, um exercício de autonomia: pensar por conta própria, sem medo de desagradar, e sempre em busca de horizontes mais justos e horizontais.

O que você vai encontrar por aqui?

  • Notícias – mas não qualquer notícia. Vou garimpar acontecimentos do Brasil e do mundo que revelem as engrenagens do poder e, principalmente, as brechas por onde a autonomia floresce. Greves, ocupações, experiências de autogestão, insurreições, resistências indígenas, quilombolas, LGBTQIA+ e de tantos outros corpos que insistem em existir para além da lógica dominante.
  • Reflexões – ensaios, opiniões e divagações sobre o anarquismo moderno. O que significa ser anarquista hoje? Como dialogar com as lutas climáticas, a tecnologia, o feminismo, o antirracismo? Que ferramentas teóricas podemos usar para desmontar os discursos de ódio e as novas roupagens do autoritarismo?
  • Visões pessoais – sim, este é um espaço assumidamente subjetivo. Não tenho a pretensão de falar em nome de ninguém, muito menos de oferecer verdades absolutas. Aqui, vou expor minhas inquietações, meus aprendizados, minhas contradições inclusive. Porque acredito que o anarquismo também se faz na honestidade radical com nós mesmos.

A ideia é que o blog seja um canteiro de ideias em germinação. Um lugar para quem sente na pele que “outro mundo é possível” e quer não só sonhar com ele, mas discutir os caminhos para construí-lo – aqui e agora, com as mãos e a mente.

Fique à vontade para discordar, questionar, sugerir. Liberdade também é isso: diálogo sem donos.

Que venham os próximos passos. Que venham as palavras que nos libertam.

Com afeto e rebeldia,

Liberto Herrera.