O 1º de Maio horizontal da UAF e FACA

Companheirxs da União Anarquista Federal (UAF) e da Federação Anarquista Capixaba (FACA), meu punho cerrado e meu coração em chamas vão para vocês neste Primeiro de Maio que ainda ecoa nas ruas!

Enquanto os sindicalistas de mesa e os políticos de gabinete negociavam migalhas nos palanques oficiais, vocês fizeram o que sempre fez a classe que se nega a ser rebanho: desceram aos territórios, sujaram as botas na lama da luta e ocuparam as esquinas com bandeiras negras e vermelhas. De Contagem a Vitória, de Cachoeiro de Itapemirim a Salvador, passando por cada cidade de interior onde o giz e a coragem escrevem “propriedade é roubo”, vocês demonstraram que o Primeiro de Maio só tem sentido quando é feito por aqueles que constroem o mundo com as próprias mãos — não por seus patrões ou seus capatazes. Não foi um desfile, foi uma trincheira. E é assim que se forja a revolução: na rua, na fábrica, na escola ocupada, no beco onde a polícia teme entrar.

Quero destacar a decisão acertada de levar a propaganda libertária exatamente para onde ela mais incomoda: os bairros operários, as periferias, os assentamentos, os portões das unidades fabris. Enquanto certas esquerdas se contentam em ocupar apenas as redes digitais ou os palcos institucionais, a UAF e a FACA entenderam que a ideia anarquista só floresce no suor, na fome e na revolta concreta.

Mais de catorze cidades em quatro estados — Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia — viram a insurreição silenciosa das assembleias de bairro, das panfletagens relâmpago, das faixas amarradas a viadutos e das rodas de conversa. Em cada roda, em cada palavra, plantou-se a semente do contra-poder: a autogestão, o apoio mútuo, a recusa da representação. Isso é estar entre os explorados e oprimidos — não de cima para baixo, mas lado a lado, ombro a ombro, sem vanguardas nem messias.

O Primeiro de Maio anarquista não é data comemorativa; é data de combate. E a lição que fica, companheirxs, é que não se espera o “momento certo” nem se depende de nenhuma conjuntura favorável. Faz-se a ação direta aqui, agora, com o que se tem. As ações descentralizadas em mais de catorze cidades mostram o poder da horizontalidade: não há centro que comande, nem liderança que decida — há apenas a chama que se espalha por contágio.

Que sirva de exemplo para todxs aqueles que ainda acreditam que o anarquismo é utopia: utopia é acreditar que o Estado vai acabar com a exploração. O que vimos foi a potência real de pessoas comuns — metalúrgicos, professores precarizados, entregadores, estudantes, mães solo, camponeses sem terra — construindo a rebelião no cotidiano. Isso, sim, é a Internacional na prática.

Por fim, um chamado: que este Primeiro de Maio não acabe nunca. Que as rodas da FACA e os núcleos da UAF se multipliquem em cada esquina, cada fábrica, cada latifúndio, cada cozinha comunitária. Que a Bahia, o Espírito Santo, o Rio e Minas sejam apenas o começo. Que venham o Pará, o Ceará, o Rio Grande do Sul, o sertão e a periferia de todas as capitais. O anarquismo não se pede licença para existir. Existimos na fuga da cadeia, na greve selvagem, na ocupação de terra, na escola livre.

Parabéns a todxs que sujaram as mãos de tinta, de piche e de esperança. Sigamos em frente: nem de joelhos diante do patrão, nem de costas para a luta. A revolução é como um incêndio — não se negocia com as chamas. E vocês provaram que o Primeiro de Maio ainda é nosso, inteiramente nosso, sem bandeiras nacionais nem hinos de caserna. Até a vitória e que a terra seja de quem trabalha!

Liberto Herrera, um punho entre muitos.

Español

El 1º de Mayo horizontal de la UAF y la FACA

Compañerxs de la Unión Anarquista Federal (UAF) y de la Federación Anarquista Capixaba (FACA), ¡mi puño cerrado y mi corazón en llamas van para ustedes en este Primero de Mayo que aún resuena en las calles!

Mientras los sindicalistas de mesa y los políticos de despacho negociaban migajas en los palcos oficiales, ustedes hicieron lo que siempre ha hecho la clase que se niega a ser rebaño: bajaron a los territorios, ensuciaron sus botas en el barro de la lucha y ocuparon las esquinas con banderas negras y rojas. De Contagem a Vitória, de Cachoeiro de Itapemirim a Salvador, pasando por cada ciudad del interior donde la tiza y el coraje escriben “la propiedad es robo”, demostraron que el Primero de Mayo solo tiene sentido cuando lo hacen aquellos que construyen el mundo con sus propias manos —no sus patrones ni sus capataces. No fue un desfile, fue una trinchera. Y así es como se forja la revolución: en la calle, en la fábrica, en la escuela ocupada, en el callejón donde la policía teme entrar.

Quiero destacar la acertada decisión de llevar la propaganda libertaria exactamente a donde más incomoda: los barrios obreros, las periferias, los asentamientos, las puertas de las fábricas. Mientras ciertas izquierdas se contentan con ocupar solo las redes digitales o los escenarios institucionales, la UAF y la FACA entendieron que la idea anarquista solo florece en el sudor, el hambre y la revuelta concreta.

Más de catorce ciudades en cuatro estados —Minas Gerais, Río de Janeiro, Espírito Santo y Bahía— vieron la insurrección silenciosa de las asambleas de barrio, los panfleteos relámpago, las pancartas atadas a los viaductos y los círculos de conversación. En cada círculo, en cada palabra, se sembró la semilla del contrapoder: la autogestión, el apoyo mutuo, el rechazo de la representación. Eso es estar entre los explotados y oprimidos —no de arriba abajo, sino lado a lado, hombro con hombro, sin vanguardias ni mesías.

El Primero de Mayo anarquista no es fecha conmemorativa; es fecha de combate. Y la lección que queda, compañerxs, es que no se espera el “momento correcto” ni se depende de ninguna coyuntura favorable. Se hace la acción directa aquí, ahora, con lo que se tiene. Las acciones descentralizadas en más de catorce ciudades muestran el poder de la horizontalidad: no hay centro que mande, ni liderazgo que decida —hay solo la llama que se propaga por contagio.

Que sirva de ejemplo para todes aquellos que aún creen que el anarquismo es utopía: utopía es creer que el Estado va a acabar con la explotación. Lo que vimos fue la potencia real de personas comunes —metalúrgicos, docentes precarizados, repartidores, estudiantes, madres solteras, campesinos sin tierra— construyendo la rebelión en lo cotidiano. Eso, sí, es la Internacional en la práctica.

Finalmente, un llamado: que este Primero de Mayo no termine nunca. Que los círculos de la FACA y los núcleos de la UAF se multipliquen en cada esquina, cada fábrica, cada latifundio, cada cocina comunitaria. Que Bahía, Espírito Santo, Río y Minas sean solo el comienzo. Que vengan Pará, Ceará, Río Grande del Sur, el sertón y la periferia de todas las capitales. El anarquismo no pide permiso para existir. Existimos en la fuga de la cárcel, en la huelga salvaje, en la ocupación de tierra, en la escuela libre.

Felicidades a todes que ensuciaron sus manos de tinta, de brea y de esperanza. Sigamos adelante: ni de rodillas ante el patrón, ni de espaldas a la lucha. La revolución es como un incendio —no se negocia con las llamas. Y ustedes demostraron que el Primero de Mayo sigue siendo nuestro, enteramente nuestro, sin banderas nacionales ni himnos de cuartel. ¡Hasta la victoria y que la tierra sea de quien la trabaja!

Liberto Herrera, un puño entre muchos.


English

The Horizontal May 1st of the UAF and FACA

Comrades of the Federal Anarchist Union (UAF) and the Capixaba Anarchist Federation (FACA), my clenched fist and my heart on fire go out to you on this First of May that still echoes in the streets!

While the union bureaucrats and office politicians were negotiating crumbs from official stages, you did what the class that refuses to be livestock has always done: you went down to the territories, muddied your boots in the mire of struggle, and occupied street corners with black and red flags. From Contagem to Vitória, from Cachoeiro de Itapemirim to Salvador, passing through every inland town where chalk and courage write “property is theft,” you demonstrated that May Day only makes sense when it is carried out by those who build the world with their own hands — not by their bosses or their overseers. It was not a parade; it was a trench. And that is how revolution is forged: in the street, in the factory, in the occupied school, in the alley where the police fear to tread.

I want to highlight the wise decision to take libertarian propaganda exactly where it causes the most discomfort: working-class neighborhoods, the peripheries, settlements, the gates of factories. While certain leftists are content with occupying only digital networks or institutional stages, the UAF and FACA understood that the anarchist idea only flourishes in sweat, hunger, and concrete revolt.

More than fourteen cities across four states — Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, and Bahia — witnessed the silent insurrection of neighborhood assemblies, lightning leafleting, banners tied to overpasses, and discussion circles. In every circle, in every word, the seed of counter-power was planted: self-management, mutual aid, the rejection of representation. That is what it means to be among the exploited and oppressed — not from above, but side by side, shoulder to shoulder, without vanguards or messiahs.

Anarchist May Day is not a celebratory date; it is a date of combat. And the lesson that remains, comrades, is that one does not wait for the “right moment” nor depend on any favorable conjuncture. One does direct action here, now, with what one has. The decentralized actions in over fourteen cities show the power of horizontality: there is no center that commands, no leadership that decides — there is only the flame that spreads by contagion.

Let this serve as an example to all those who still believe anarchism is a utopia: utopia is believing that the State will end exploitation. What we saw was the real power of ordinary people — metalworkers, precarious teachers, delivery workers, students, single mothers, landless peasants — building rebellion in daily life. That, indeed, is the International in practice.

Finally, a call: may this First of May never end. May FACA’s circles and UAF’s nuclei multiply on every corner, every factory, every large estate, every community kitchen. Let Bahia, Espírito Santo, Rio, and Minas be just the beginning. Let Pará, Ceará, Rio Grande do Sul, the backlands, and the peripheries of all capitals come forth. Anarchism does not ask permission to exist. We exist in the escape from prison, in the wildcat strike, in land occupation, in the free school.

Congratulations to all who dirtied their hands with ink, with pitch, and with hope. Let us move forward: neither on our knees before the boss, nor turning our backs on the struggle. Revolution is like a fire — you do not negotiate with flames. And you have proven that May Day is still ours, entirely ours, without national flags or barrack anthems. Until victory and may the land belong to those who work it!

Liberto Herrera, one fist among many.

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