
Mais um ano de 2026 se anuncia, e com ele a velha farsa eleitoral que a cada quatro anos tenta nos convencer de que a mudança vem das urnas. Mas nós, anarquistas, não esquecemos: o Estado é o nosso inimigo. Não importa se vista a camisa vermelha, azul ou verde; não importa o nome do ditador de plantão ou do “representante do povo”. O Estado é a espinha dorsal da opressão, a máquina que monopoliza a violência legal, que prende, explora, mata e decide quem vive e quem morre. Participar do jogo eleitoral é dar legitimidade a essa máquina assassina. É reconhecer que alguns seres humanos têm o direito de comandar os outros. E isso, companheiros, é a própria negação do anarquismo.
Não se deixem enganar pelas promessas de “mudança pela política”. Cada voto depositado na urna é um tijolo que reforça os muros da prisão que nos contém. Quando vocês entram na cabine de votação, estão dizendo ao sistema: “Aceito suas regras, aceito seus mestres, aceito que minha liberdade seja representada por um ladrão de terno”. Lembrem-se: toda eleição é uma cerimônia de legitimação da dominação. Os candidatos não são porta-vozes do povo — são capatazes do capital, da propriedade privada e da ordem estabelecida. E ao votar, vocês se tornam cúmplices dessa farsa, alimentando a ilusão de que a opressão pode ser humanizada. Ela não pode. Ela só pode ser destruída.
Nós não queremos reformar o Estado. Queremos extingui-lo. A história já nos mostrou: anarquistas que se renderam à lógica eleitoral abandonaram a essência da luta. Não existe “voto anarquista”, assim como não existe “cadeia anarquista” ou “exército anarquista”. O que existe é a ação direta, a autogestão, a organização de baixo para cima, sem patrões nem governantes. Quando boicotamos as eleições, estamos dizendo não apenas “não voto”, mas sim “não reconheço sua autoridade”. Cada eleição que ignoramos é um golpe na imagem de que o Estado é necessário. Cada hora que deixamos de gastar em comícios ou propagandas eleitorais é uma hora a mais dedicada à construção de redes de apoio mútuo, ocupações, cooperativas e assembléias populares.
Este ano de 2026, os donos do poder tentarão de novo nos chamar para o teatro. As telas se encherão de promessas, os debates fingirão debate, e os cofres públicos serão saqueados para financiar mentiras. Mas nós, que sabemos que a liberdade não se mendiga nem se vota, vamos responder com desobediência. Vamos recusar a urna como recusamos a algema. Vamos rir dos que nos chamam de “alienados” — alienado é quem entrega sua vontade a um pedaço de papel. A nossa pátria é o mundo, e nosso governo é a solidariedade horizontal entre iguais. Não queremos representantes, queremos ação. Não queremos promessas, queremos práticas libertárias.
Portanto, companheiros, quando setembro de 2026 chegar e os meios de comunicação bradarem sobre a “importância do voto consciente”, mantenham-se firmes. Boicotem as eleições. Façam campanha anti-eleitoral nos bairros, nos sindicatos, nas escolas. Digam em alto e bom som: o anarquismo é antiestatal ou não é nada. E que os candidatos, os juízes eleitorais e os políticos de todas as faixas saibam: nossa luta não é por uma vaga no parlamento. Nossa luta é pela abolição de todo o parlamento, de toda a cadeia de comando, de toda a hierarquia. Enquanto eles contam votos, nós plantaremos árvores, ocuparemos terras, criaremos bibliotecas populares, montaremos hortas comunitárias, organizaremos defesas mútuas. Esse é o caminho. Não atrás de um governante. Mas ao lado dos nossos iguais. Viva a luta antiestatal! Abaixo as eleições! O futuro é autogestionário ou não será.
Liberto Herrera.
Español:
RECUERDEN, COMPAÑEROS: ¡EL ANARQUISMO NO SE VOTA, SE CONSTRUYE EN LAS CALLES!
Otro año 2026 se anuncia, y con él la vieja farsa electoral que cada cuatro años intenta convencernos de que el cambio viene de las urnas. Pero nosotros, anarquistas, no olvidamos: el Estado es nuestro enemigo. No importa si se vista de camisa roja, azul o verde; no importa el nombre del dictador de turno o del “representante del pueblo”. El Estado es la columna vertebral de la opresión, la máquina que monopoliza la violencia legal, que encarcela, explota, mata y decide quién vive y quién muere. Participar en el juego electoral es dar legitimidad a esa máquina asesina. Es reconocer que algunos seres humanos tienen el derecho de mandar sobre otros. Y eso, compañeros, es la propia negación del anarquismo.
No se dejen engañar por las promesas de “cambio a través de la política”. Cada voto depositado en la urna es un ladrillo que refuerza los muros de la prisión que nos contiene. Cuando entran en la cabina de votación, le están diciendo al sistema: “Acepto tus reglas, acepto tus amos, acepto que mi libertad sea representada por un ladrón de traje”. Recuerden: toda elección es una ceremonia de legitimación de la dominación. Los candidatos no son portavoces del pueblo — son capataces del capital, de la propiedad privada y del orden establecido. Y al votar, se vuelven cómplices de esa farsa, alimentando la ilusión de que la opresión puede ser humanizada. No puede. Solo puede ser destruida.
Nosotros no queremos reformar el Estado. Queremos extinguirlo. La historia ya nos ha mostrado: los anarquistas que se rindieron a la lógica electoral abandonaron la esencia de la lucha. No existe el “voto anarquista”, como no existe la “cárcel anarquista” ni el “ejército anarquista”. Lo que existe es la acción directa, la autogestión, la organización de abajo hacia arriba, sin patrones ni gobernantes. Cuando boicoteamos las elecciones, no solo decimos “no voto”, sino “no reconozco tu autoridad”. Cada elección que ignoramos es un golpe a la imagen de que el Estado es necesario. Cada hora que dejamos de gastar en mítines o propaganda electoral es una hora más dedicada a construir redes de apoyo mutuo, ocupaciones, cooperativas y asambleas populares.
Este año 2026, los dueños del poder intentarán nuevamente llamarnos al teatro. Las pantallas se llenarán de promesas, los debates fingirán debate, y las arcas públicas serán saqueadas para financiar mentiras. Pero nosotros, que sabemos que la libertad no se mendiga ni se vota, responderemos con desobediencia. Rechazaremos la urna como rechazamos las esposas. Nos reiremos de quienes nos llaman “alienados” — alienado es quien entrega su voluntad a un pedazo de papel. Nuestra patria es el mundo, y nuestro gobierno es la solidaridad horizontal entre iguales. No queremos representantes, queremos acción. No queremos promesas, queremos prácticas libertarias.
Por lo tanto, compañeros, cuando llegue septiembre de 2026 y los medios de comunicación clamen sobre la “importancia del voto consciente”, manténganse firmes. Boicoteen las elecciones. Hagan campaña antielectoral en los barrios, en los sindicatos, en las escuelas. Digan alto y claro: el anarquismo es antiestatal o no es nada. Y que los candidatos, los jueces electorales y los políticos de toda calaña sepan: nuestra lucha no es por un escaño en el parlamento. Nuestra lucha es por la abolición de todo el parlamento, de toda la cadena de mando, de toda jerarquía. Mientras ellos cuentan votos, nosotros plantaremos árboles, ocuparemos tierras, crearemos bibliotecas populares, montaremos huertas comunitarias, organizaremos defensas mutuas. Ese es el camino. No detrás de un gobernante. Sino al lado de nuestros iguales. ¡Viva la lucha antiestatal! ¡Abajo las elecciones! El futuro es autogestionario o no será.
Liberto Herrera.
English:
REMEMBER, COMRADES: ANARCHISM IS NOT VOTED, IT IS BUILT IN THE STREETS!
Another year 2026 is announced, and with it the old electoral farce that every four years tries to convince us that change comes from the ballot box. But we anarchists have not forgotten: the State is our enemy. It doesn’t matter if it wears a red, blue, or green shirt; it doesn’t matter the name of the current dictator or the “people’s representative.” The State is the backbone of oppression, the machine that monopolizes legal violence, that imprisons, exploits, kills, and decides who lives and who dies. Participating in the electoral game is giving legitimacy to that murderous machine. It is acknowledging that some human beings have the right to rule over others. And that, comrades, is the very negation of anarchism.
Do not be fooled by promises of “change through politics.” Every vote cast in the ballot box is a brick that reinforces the prison walls that contain us. When you enter the voting booth, you are telling the system: “I accept your rules, I accept your masters, I accept that my freedom be represented by a suited thief.” Remember: every election is a ceremony legitimizing domination. Candidates are not spokespeople for the people — they are foremen for capital, private property, and the established order. And by voting, you become complicit in that farce, feeding the illusion that oppression can be humanized. It cannot. It can only be destroyed.
We do not want to reform the State. We want to abolish it. History has already shown us: anarchists who surrendered to electoral logic abandoned the essence of struggle. There is no such thing as an “anarchist vote,” just as there is no “anarchist prison” or “anarchist army.” What exists is direct action, self-management, organization from below, without bosses or rulers. When we boycott elections, we are saying not only “I don’t vote,” but “I do not recognize your authority.” Every election we ignore is a blow to the image that the State is necessary. Every hour we don’t waste on rallies or electoral propaganda is one more hour dedicated to building mutual aid networks, occupations, cooperatives, and popular assemblies.
This year 2026, the powers that be will try once more to summon us to their theater. Screens will fill with promises, debates will feign debate, and public coffers will be looted to finance lies. But we, who know that freedom is neither begged for nor voted for, will respond with disobedience. We will refuse the ballot box just as we refuse the handcuffs. We will laugh at those who call us “alienated” — the alienated one is the one who hands over their will to a piece of paper. Our homeland is the world, and our government is horizontal solidarity among equals. We do not want representatives, we want action. We do not want promises, we want libertarian practices.
Therefore, comrades, when September 2026 arrives and the media cries out about the “importance of conscious voting,” remain steadfast. Boycott the elections. Run anti-electoral campaigns in neighborhoods, unions, and schools. Say it loud and clear: anarchism is anti-state or it is nothing. And let the candidates, electoral judges, and politicians of all stripes know: our struggle is not for a seat in parliament. Our struggle is for the abolition of all parliament, of the entire chain of command, of all hierarchy. While they count votes, we will plant trees, occupy land, create popular libraries, set up community gardens, organize mutual defense. That is the path. Not behind a ruler. But alongside our equals. Long live the anti-state struggle! Down with elections! The future is self-managed or it will not be.
Liberto Herrera.