
Este poemário nasce sem donos. Não manejamos dinheiro, rechaçamos por preço à raiva. Se circular dinheiro, invistam-no em panelas comuns, bibliotecas, fianças, resistência. Quem leva este material se compromete a entregar cada peso sem intermediários nem fundações, mão a mão. Pedimos ao Movimento Anticarcerário Internacional: difundir, recitar, multiplicar sem medo, até quebrar as celas, até que caia o desdém.
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Contra as Gaiolas do Esquecimento
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Entre muros de concreto e sonhos aprisionados,
almas rebeldes tecem versos iluminados.
Cada grade é um verso que o poder forjou,
mas na noite escura, nosso punho se ergueu, lutou.
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As correntes do Estado, frias como a ausência,
prendem corpos, mas não a chama da resistência.
Em cada brecha do sistema, um coração pulsado,
a fúria que constrói o que nunca foi calado.
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Do Chile à Grécia, das ruas até as matas,
a solidariedade é um rugido que não se mata.
Nenhum muro deterá a semente que brota,
a utopia rebelde que em cada peito se nota.
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Rosas negras florescem onde o poder planta dor,
em cada grade quebrada, se unem voz e clamor.
A poesia é uma arma, a palavra, direção,
derruba fortalezas, apaga a divisão.
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Não há cerca que apague a luz dos clamores,
nem guarda que silencie os gritos dos sofredores.
Somos pássaros de névoa, trilhas no proibido,
tecendo redes de fogo contra o mundo corrompido.
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Contra as jaulas do capital, a raiva organizada,
cada verso é um passo rumo à alvorada.
Na pele dos presos, a luta é marcada,
e em nosso canto pulsa a esperança libertada.
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Liberto Herrera*.
*Difundido em outubro de 2025.