Estado não protege, oprime – abaixo o monopólio da violência

O Estado nasce da mesma lama que o Capital: da expropriação, da espada, da submissão. Antes de qualquer “contrato social”, houve a conquista. Alguém disse “aqui mando eu”, armou seus capangas e impôs regras. O monopólio da violência não é uma conquista civilizatória — é a garantia de que ninguém mais pode usar força a não ser o rei, o parlamento, a polícia. E quem controla essa força? Quem tem a propriedade. O Estado não protege o fraco; protege o lucro. Sua função histórica é blindar a desigualdade com cassetetes, juízes e grades.

Quando um despejo acontece, o Estado está lá — não para mediar, mas para expulsar o morador em nome do proprietário. Quando um grevista é preso, o Estado está lá — não para ouvir a pauta, mas para defender o patrão. Quando um ativista desaparece, o Estado está lá — não para investigar, mas para produzir terror. Proteção? O Estado protege o banqueiro do controle social, o latifundiário do sem-terra, o explorador do explorado. A única “segurança” que ele oferece ao trabalhador é a do cárcere, da fome regulada, da morte lenta nas periferias.

O monopólio da violência significa que a própria ferramenta de defesa popular — a autodefesa, a organização armada da base, a recusa coletiva à opressão — é criminalizada. Enquanto o policial pode matar e sair em liberdade, o jovem negro que reage é linchado pela mídia e pelo tribunal. Essa assimetria não é acidente; é um projeto pensado e calculado. O Estado quer corpos dóceis, não cidadãos conscientes. Quer contribuintes, não revoltosos. Por isso a violência estatal nunca é contra o rico: é sempre contra quem questiona a ordem da propriedade e da hierarquia.

Não adianta “reformar a polícia”, “humanizar as prisões”, “votar em outro governante”. Essas são maquiagens na face do monstro. A polícia continuará sendo o braço armado do capital; as prisões, fábricas de mão de obra escrava; os governantes, gerentes do sistema. A única resposta à opressão estatal é a desobediência massiva, a organização horizontal para a autodefesa, a construção de redes de apoio que prescindam da violência institucional.

Portanto, abaixo o monopólio da violência, sempre! Não para instalar outro monopólio, mas para dissolver a própria ideia de que alguém tem o direito de decidir sobre a vida alheia com armas e leis. Autogestão da segurança, autogestão da justiça, autogestão de tudo. Sem Estado, sem polícia, sem fronteiras, sem celas. E que cada um e cada uma se lembre: a única violência legítima é a que se opõe à violência estrutural. O Estado não protege, oprime. Desmontemos essa máquina, tijolo por tijolo, com as mãos livres e a coragem em pé.

Liberto Herrera.