
Não vos venho trazer flores nem ilusões. Venho falar da verdade que muitos camaradas preferem adoçar para não assustar os recém-chegados: a repressão não é um acidente de percurso na luta anarquista; ela é a sua sombra inevitável, o eco metálico que a nossa ação provoca nas engrenagens do Leviatã. Quem sonha com uma revolução sem cicatrizes, sem sangue e sem cadeias, está a sonhar com uma aventura ou uma festa, não com a destruição da ordem burguesa. A tese que vos trago é dura, mas necessária: a repressão é inerente à nossa luta porque o poder não cede o seu espólio sem violência; ainda assim, mesmo que o terreno esteja minado, mesmo que as probabilidades sejam de aniquilamento, a luta deve prosseguir por todos os meios possíveis. A tensão entre a ordem burguesa e o mundo novo que carregamos em nossas entranhas não é um mal-entendido que se resolva com diálogos de salão; é um antagonismo ontológico, uma contradição irreconciliável. E é precisamente da superação violenta e radical dessa ordem que a vitória libertária há de surgir — o que, por sua vez, nos conduz, inexoravelmente, de volta ao fogo da resistência.
Comecemos pelo óbvio que os acadêmicos e os reformistas se recusam a ver: o Estado burguês não é uma entidade neutra, um mero árbitro de conflitos sociais. Ele é a comissão executiva dos exploradores, o guarda-costas armado da propriedade privada e das hierarquias que dela emanam. A sua essência é a coerção monopolizada. A lei que ele aplica não é a justiça; é a codificação da espoliação. Quando nos organizamos em conselhos livres, quando ocupamos terras e fábricas, quando recusamos a obediência e a servidão voluntária, não estamos a fazer um pedido de mudança; estamos a desferir um golpe na própria base de sua legitimidade. A reação do Estado a esse golpe não pode ser outra senão a repressão. Não é um “risco” calculado; é uma certeza física, como a queda de um corpo. A história está repleta de exemplos — desde a Comuna de Paris, afogada em sangue, até a Ucrânia Livre, esmagada pelo exército vermelho e pelos brancos; desde os mártires de Chicago até as celas de prisão que abrigam os camaradas de hoje. A repressão não é o “preço” a pagar; ela é a resposta natural do sistema à nossa existência.
Neste ponto, muitos se acovardam. Dizem: “O terreno é desfavorável. A burguesia está fortalecida. O proletariado está atomizado. Esperemos o momento oportuno.” Que covardia disfarçada de pragmatismo! Quando, pergunto eu, o terreno foi favorável para os oprimidos? Quando é que os donos do mundo se sentaram à mesa e disseram: “Agora estamos frágeis, podem atacar”? O terreno desfavorável é o único terreno que a classe trabalhadora conhece. A fábrica é desfavorável, a mina é desfavorável, o gueto é desfavorável. A história não é uma escada rolante que nos leva suavemente à liberdade; é um abismo que só se transpõe com um salto — e o salto exige pernas fortes, mesmo que o chão trema. Esperar por condições ideais é esperar pela morte da nossa própria iniciativa. É entregar ao inimigo o monopólio do tempo. A luta não se faz quando a vitória é certa; faz-se porque a vitória precisa ser conquistada, e a única maneira de torná-la possível é travá-la, agora, com as ferramentas que temos, mesmo que sejam apenas as nossas mãos nuas e a nossa vontade inquebrantável.
Agora, detenhamo-nos sobre essa tensão inevitável. O que é a ordem burguesa senão um sistema de mediações hierárquicas — o patrão sobre o operário, o homem sobre a mulher, o branco sobre o negro, o burocrata sobre o cidadão? É uma teia de comandos e obediências que se reproduz diariamente nas escolas, nas igrejas, nos quartéis e nos parlamentos. O anarquismo, em sua essência, é a negação absoluta dessa mediação. Nós não queremos reformar a cadeia, queremos quebrá-la. Não queremos um patrão mais humano, queremos a autogestão. Não queremos um Estado mais paternalista, queremos a federação livre de comunas. Essa negação não é uma abstração filosófica; ela se traduz em atos concretos: a desobediência, a greve selvagem, a sabotagem, a expropriação. Cada um desses atos colide frontalmente com o código penal burguês, com a sua polícia e com os seus exércitos. A tensão, portanto, é uma guerra de movimento perpétuo.
E é nesse embate, nessa dialética violenta, que reside a nossa esperança. Porque a superação da ordem burguesa não virá de um voto, nem de uma declaração da ONU, nem de um manifesto pacífico que pede gentilmente que os opressores se convertam. A superação virá da crise, do choque, do momento em que a repressão do Estado se torna tão brutal, tão descarnada, que o véu da legalidade se rasga e as massas veem o tigre por trás da máscara. É a repressão que educa as massas na escola da necessidade. É a violência policial que radicaliza o operário moderado. É a prisão do militante que inspira a rebelião da vizinhança. Nesse sentido, a repressão é uma faca de dois gumes: o inimigo a usa para nos imolar, mas nós a usamos como uma forja que tempera a nossa determinação e revela a verdadeira face do poder. Quanto mais o Estado aperta o cerco, mais ele demonstra que não tem argumentos, apenas balas. E quando uma estrutura só tem balas para oferecer, a sua queda é apenas uma questão de tempo e de fúria acumulada.
Mas atenção: essa vitória libertária, que emerge da superação da ordem, não é um ponto de chegada estático, um paraíso onde os problemas se dissolvem. Ela é um processo contínuo de auto-emancipação. E é precisamente por isso que a luta, e todos os meios possíveis para travá-la, se tornam a categoria central da nossa existência. Defender que a luta deve prosseguir “por todos os meios possíveis” não é um apelo cego à violência; é o reconhecimento de que, numa guerra de extermínio contra a nossa humanidade, temos o direito moral e histórico de usar todas as armas disponíveis. Se o Estado usa a leis para nos prender, usemos a ilegalidade para expropriar o que foi roubado. Se o Estado usa a mídia para mentir, usemos a palavra impressa e a ação direta para desmascarar. Se o Estado usa as balas, usemos as barricadas. A ética do oprimido não pode ser a ética do opressor. Enquanto eles têm a propriedade, nós temos a fome; enquanto eles têm o exército, nós temos o número; enquanto eles têm a tecnologia da vigilância, nós temos a solidariedade orgânica das ruas. A luta por todos os meios significa utilizar a greve geral como arma política, a ocupação como ato de justiça distributiva, a sabotagem como interrupção do lucro, e a insurreição popular como o momento culminante em que o povo, armado com a sua própria coragem, toma para si os destinos da vida social.
Reconheçamos, no entanto, a dureza do caminho. As derrotas são amargas. As fileiras se diminuem. Os camaradas tombam. E o terreno, muitas vezes, parece mais estéril do que nunca. A pergunta que ecoa nos porões das delegacias e nos exílios forçados é: “Por que continuar?” A resposta é tão simples quanto absoluta: porque parar é aceitar a morte em vida. Porque a interrupção da luta não é uma trégua; é uma derrota definitiva que consagra a ordem burguesa como eterna. A continuidade da resistência, mesmo em terreno árido, é a única garantia de que a chama não se apaga. Cada ato de rebeldia, por menor que seja, é uma negação prática do “fim da história” proclamado pelos ideólogos do capital. Quando um grupo de trabalhadores ocupa uma fábrica falida, mesmo que despejados no dia seguinte, eles plantaram uma semente: a semente da autogestão possível. Quando um bairro se organiza em milícias populares para enfrentar a repressão policial, mesmo que massacrados, eles escreveram uma página na memória coletiva que nenhum juiz pode apagar. A luta não se justifica apenas pela vitória final; ela se justifica pela dignidade que confere a cada instante da resistência. A vitória libertária virá, mas virá como um corolário de inúmeras batalhas perdidas, de inúmeros mártires, de inúmeros “fracassos” que, somados, constroem a subjetividade revolucionária.
Esta é a dialética cruel que nos move: a ordem burguesa não pode coexistir com a liberdade anárquica. Ela a perseguirá, a caluniará e a esmagará com todas as suas forças. Mas, ao fazer isso, ela gera o seu próprio antídoto. Ela unifica os dispersos, ela radicaliza os moderados, ela prova a sua própria incapacidade de resolver as crises que ela mesma cria. A superação, portanto, não é uma fuga da realidade; é um mergulho nela até ao fundo, até ao ponto em que a tensão se rompe e o novo emerge das cinzas do velho. E esse novo mundo — a sociedade federada, igualitária e livre — não será construído com preces, mas com os escombros do edifício derrubado.
Por fim, caros camaradas, não nos enganemos com o canto da sereia do realismo político. O realismo burguês é a aceitação da servidão. O nosso realismo é a consciência da força do inimigo aliada à certeza da nossa necessidade de o destruir. A repressão está aí, nos porões, nas delegacias, nos canhões. Mas a nossa vontade de resistir também está aí, nas oficinas, nos campos, nos bairros periféricos. Que a repressão nos encontre de pé. Que o terreno desfavorável nos encontre em movimento. Que a tensão nos encontre na trincheira. Porque a vitória libertária não é um prêmio para os prudentes; é uma conquista para os audazes. É a superação da ordem burguesa que nos trará a alvorada, mas essa superação exige que cada um de nós, agora, neste instante, empunhe a sua ferramenta, a sua palavra, o seu punho ou a sua inteligência para golpear as cadeias.
A luta continua. Não porque temos esperança de um amanhã fácil, mas porque o hoje, sem luta, é insuportável. Não porque o futuro nos garante o triunfo, mas porque o presente nos exige a rebeldia. A repressão é inerente, o terreno é hostil, a tensão é absoluta. Mas a resistência é a nossa essência. E enquanto houver um único explorado, uma única mulher oprimida, um único trabalhador acorrentado, haverá um anarquista a plantar a dinamite da liberdade. Avante, pois. A vitória é o próprio caminho, e o caminho é a luta até ao fim.
Liberto Herrera.
CASTELLANO:
La Furia Necesaria
No vengo a traeros flores ni ilusiones. Vengo a hablaros de la verdad que muchos camaradas prefieren endulzar para no asustar a los recién llegados: la represión no es un accidente de trayecto en la lucha anarquista; es su sombra inevitable, el eco metálico que nuestra acción provoca en los engranajes del Leviatán. Quien sueña con una revolución sin cicatrices, sin sangre y sin cadenas, está soñando con una aventura o una fiesta, no con la destrucción del orden burgués. La tesis que os traigo es dura, pero necesaria: la represión es inherente a nuestra lucha porque el poder no cede su botín sin violencia; aun así, aunque el terreno esté minado, aunque las probabilidades sean de aniquilamiento, la lucha debe proseguir por todos los medios posibles. La tensión entre el orden burgués y el mundo nuevo que llevamos en nuestras entrañas no es un malentendido que se resuelva con diálogos de salón; es un antagonismo ontológico, una contradicción irreconciliable. Y es precisamente de la superación violenta y radical de ese orden de donde ha de surgir la victoria libertaria — lo que, a su vez, nos conduce, inexorablemente, de vuelta al fuego de la resistencia.
Comencemos por lo obvio que los académicos y los reformistas se niegan a ver: el Estado burgués no es una entidad neutra, un mero árbitro de conflictos sociales. Es la comisión ejecutiva de los explotadores, el guardaespaldas armado de la propiedad privada y de las jerarquías que de ella emanan. Su esencia es la coerción monopolizada. La ley que aplica no es la justicia; es la codificación del despojo. Cuando nos organizamos en consejos libres, cuando ocupamos tierras y fábricas, cuando rehusamos la obediencia y la servidumbre voluntaria, no estamos haciendo una petición de cambio; estamos asestando un golpe en la base misma de su legitimidad. La reacción del Estado a ese golpe no puede ser otra que la represión. No es un “riesgo” calculado; es una certeza física, como la caída de un cuerpo. La historia está repleta de ejemplos — desde la Comuna de París, ahogada en sangre, hasta la Ucrania Libre, aplastada por el ejército rojo y los blancos; desde los mártires de Chicago hasta las celdas de prisión que albergan a los camaradas de hoy. La represión no es el “precio” a pagar; es la respuesta natural del sistema a nuestra existencia.
En este punto, muchos se acobardan. Dicen: “El terreno es desfavorable. La burguesía está fortalecida. El proletariado está atomizado. Esperemos el momento oportuno.” ¡Qué cobardía disfrazada de pragmatismo! ¿Cuándo, pregunto yo, fue el terreno favorable para los oprimidos? ¿Cuándo es que los dueños del mundo se sentaron a la mesa y dijeron: “Ahora estamos débiles, pueden atacar”? El terreno desfavorable es el único terreno que conoce la clase trabajadora. La fábrica es desfavorable, la mina es desfavorable, el gueto es desfavorable. La historia no es una escalera mecánica que nos lleve suavemente a la libertad; es un abismo que solo se traspona con un salto — y el salto exige piernas fuertes, aunque el suelo tiemble. Esperar condiciones ideales es esperar la muerte de nuestra propia iniciativa. Es entregar al enemigo el monopolio del tiempo. La lucha no se libra cuando la victoria es segura; se libra porque la victoria debe ser conquistada, y la única manera de hacerla posible es librarla, ahora, con las herramientas que tenemos, aunque sean solo nuestras manos desnudas y nuestra voluntad inquebrantable.
Ahora, detengámonos en esa tensión inevitable. ¿Qué es el orden burgués sino un sistema de mediaciones jerárquicas — el patrón sobre el obrero, el hombre sobre la mujer, el blanco sobre el negro, el burócrata sobre el ciudadano? Es una telaraña de mandatos y obediencias que se reproduce diariamente en las escuelas, en las iglesias, en los cuarteles y en los parlamentos. El anarquismo, en su esencia, es la negación absoluta de esa mediación. Nosotros no queremos reformar la cadena, queremos romperla. No queremos un patrón más humano, queremos la autogestión. No queremos un Estado más paternalista, queremos la federación libre de comunas. Esa negación no es una abstracción filosófica; se traduce en actos concretos: la desobediencia, la huelga salvaje, el sabotaje, la expropiación. Cada uno de esos actos choca frontalmente con el código penal burgués, con su policía y con sus ejércitos. La tensión, por tanto, es una guerra de movimiento perpetuo.
Y es en ese embate, en esa dialéctica violenta, donde reside nuestra esperanza. Porque la superación del orden burgués no vendrá de un voto, ni de una declaración de la ONU, ni de un manifiesto pacífico que pide amablemente a los opresores que se conviertan. La superación vendrá de la crisis, del choque, del momento en que la represión del Estado se vuelve tan brutal, tan descarnada, que el velo de la legalidad se rasga y las masas ven al tigre detrás de la máscara. Es la represión la que educa a las masas en la escuela de la necesidad. Es la violencia policial la que radicaliza al obrero moderado. Es la prisión del militante la que inspira la rebelión del vecindario. En ese sentido, la represión es un arma de doble filo: el enemigo la usa para inmolaros, pero nosotros la usamos como una forja que templa nuestra determinación y revela el verdadero rostro del poder. Cuanto más aprieta el cerco el Estado, más demuestra que no tiene argumentos, solo balas. Y cuando una estructura solo tiene balas para ofrecer, su caída es solo cuestión de tiempo y de furia acumulada.
Pero atención: esa victoria libertaria, que emerge de la superación del orden, no es un punto de llegada estático, un paraíso donde los problemas se disuelven. Es un proceso continuo de autoemancipación. Y es precisamente por eso que la lucha, y todos los medios posibles para librarla, se convierten en la categoría central de nuestra existencia. Defender que la lucha debe proseguir “por todos los medios posibles” no es un llamamiento ciego a la violencia; es el reconocimiento de que, en una guerra de exterminio contra nuestra humanidad, tenemos el derecho moral e histórico de usar todas las armas disponibles. Si el Estado usa las leyes para encarcelarnos, usemos la ilegalidad para expropiar lo que fue robado. Si el Estado usa los medios para mentir, usemos la palabra impresa y la acción directa para desenmascarar. Si el Estado usa las balas, usemos las barricadas. La ética del oprimido no puede ser la ética del opresor. Mientras ellos tienen la propiedad, nosotros tenemos el hambre; mientras ellos tienen el ejército, nosotros tenemos el número; mientras ellos tienen la tecnología de la vigilancia, nosotros tenemos la solidaridad orgánica de las calles. La lucha por todos los medios significa utilizar la huelga general como arma política, la ocupación como acto de justicia distributiva, el sabotaje como interrupción del beneficio, y la insurrección popular como el momento culminante en que el pueblo, armado con su propio coraje, toma para sí los destinos de la vida social.
Reconozcamos, sin embargo, la dureza del camino. Las derrotas son amargas. Las filas se disminuyen. Los camaradas caen. Y el terreno, a menudo, parece más estéril que nunca. La pregunta que resuena en los sótanos de las comisarías y en los exilios forzados es: “¿Por qué continuar?” La respuesta es tan simple como absoluta: porque parar es aceptar la muerte en vida. Porque la interrupción de la lucha no es una tregua; es una derrota definitiva que consagra el orden burgués como eterno. La continuidad de la resistencia, incluso en terreno árido, es la única garantía de que la llama no se apague. Cada acto de rebeldía, por pequeño que sea, es una negación práctica del “fin de la historia” proclamado por los ideólogos del capital. Cuando un grupo de trabajadores ocupa una fábrica en quiebra, aunque sean desalojados al día siguiente, han plantado una semilla: la semilla de la autogestión posible. Cuando un barrio se organiza en milicias populares para enfrentar la represión policial, aunque sean masacrados, han escrito una página en la memoria colectiva que ningún juez puede borrar. La lucha no se justifica solo por la victoria final; se justifica por la dignidad que confiere a cada instante de la resistencia. La victoria libertaria vendrá, pero vendrá como un corolario de innumerables batallas perdidas, de innumerables mártires, de innumerables “fracasos” que, sumados, construyen la subjetividad revolucionaria.
Esta es la dialéctica cruel que nos mueve: el orden burgués no puede coexistir con la libertad anárquica. La perseguirá, la calumniará y la aplastará con todas sus fuerzas. Pero, al hacer eso, genera su propio antídoto. Unifica a los dispersos, radicaliza a los moderados, prueba su propia incapacidad para resolver las crisis que ella misma crea. La superación, por tanto, no es una huida de la realidad; es una inmersión en ella hasta el fondo, hasta el punto en que la tensión se rompe y lo nuevo emerge de las cenizas de lo viejo. Y ese mundo nuevo — la sociedad federada, igualitaria y libre — no será construido con plegarias, sino con los escombros del edificio derrumbado.
Finalmente, queridos camaradas, no nos engañemos con el canto de sirena del realismo político. El realismo burgués es la aceptación de la servidumbre. Nuestro realismo es la conciencia de la fuerza del enemigo aliada a la certeza de nuestra necesidad de destruirlo. La represión está ahí, en los sótanos, en las comisarías, en los cañones. Pero nuestra voluntad de resistir también está ahí, en los talleres, en los campos, en los barrios periféricos. Que la represión nos encuentre de pie. Que el terreno desfavorable nos encuentre en movimiento. Que la tensión nos encuentre en la trinchera. Porque la victoria libertaria no es un premio para los prudentes; es una conquista para los audaces. Es la superación del orden burgués la que nos traerá el alba, pero esa superación exige que cada uno de nosotros, ahora, en este instante, empuñe su herramienta, su palabra, su puño o su inteligencia para golpear las cadenas.
La lucha continúa. No porque tengamos esperanza de un mañana fácil, sino porque el hoy, sin lucha, es insoportable. No porque el futuro nos garantice el triunfo, sino porque el presente nos exige la rebeldía. La represión es inherente, el terreno es hostil, la tensión es absoluta. Pero la resistencia es nuestra esencia. Y mientras haya un solo explotado, una sola mujer oprimida, un solo trabajador encadenado, habrá un anarquista plantando la dinamita de la libertad. Adelante, pues. La victoria es el propio camino, y el camino es la lucha hasta el final.
Liberto Herrera.
ENGLISH:
The Necessary Fury
I do not come to bring you flowers or illusions. I come to speak to you of the truth that many comrades prefer to sweeten so as not to frighten the newcomers: repression is not a mishap along the anarchist struggle; it is its inevitable shadow, the metallic echo that our action provokes in the gears of the Leviathan. Whoever dreams of a revolution without scars, without blood and without chains, is dreaming of an adventure or a party, not of the destruction of the bourgeois order. The thesis I bring you is harsh, but necessary: repression is inherent to our struggle because power does not relinquish its spoils without violence; even so, even if the ground is mined, even if the odds are annihilation, the struggle must continue by all possible means. The tension between the bourgeois order and the new world we carry in our guts is not a misunderstanding to be resolved with parlor-room dialogues; it is an ontological antagonism, an irreconcilable contradiction. And it is precisely from the violent and radical overcoming of that order that the libertarian victory shall emerge — which, in turn, leads us, inexorably, back into the fire of resistance.
Let us begin with the obvious that academics and reformists refuse to see: the bourgeois State is not a neutral entity, a mere arbiter of social conflicts. It is the executive committee of the exploiters, the armed bodyguard of private property and the hierarchies that emanate from it. Its essence is monopolized coercion. The law it enforces is not justice; it is the codification of plunder. When we organize ourselves into free councils, when we occupy lands and factories, when we refuse obedience and voluntary servitude, we are not making a request for change; we are striking at the very foundation of its legitimacy. The State’s reaction to that blow can be nothing other than repression. It is not a calculated “risk”; it is a physical certainty, like the fall of a body. History is replete with examples — from the Paris Commune, drowned in blood, to Free Ukraine, crushed by the Red Army and the Whites; from the martyrs of Chicago to the prison cells that house today’s comrades. Repression is not the “price” to be paid; it is the system’s natural response to our existence.
At this point, many lose their nerve. They say: “The terrain is unfavorable. The bourgeoisie is strengthened. The proletariat is atomized. Let us wait for the opportune moment.” What cowardice disguised as pragmatism! When, I ask, was the terrain favorable for the oppressed? When did the owners of the world sit down at the table and say, “Now we are fragile, you may attack”? The unfavorable terrain is the only terrain the working class has ever known. The factory is unfavorable, the mine is unfavorable, the ghetto is unfavorable. History is not an escalator smoothly carrying us to freedom; it is an abyss that can only be crossed with a leap — and the leap requires strong legs, even if the ground trembles. Waiting for ideal conditions is waiting for the death of our own initiative. It is handing over to the enemy the monopoly on time. The struggle is not waged when victory is certain; it is waged because victory must be won, and the only way to make it possible is to wage it, now, with the tools we have, even if they are only our bare hands and our unbreakable will.
Now, let us dwell on this inevitable tension. What is the bourgeois order but a system of hierarchical mediations — the boss over the worker, man over woman, white over black, the bureaucrat over the citizen? It is a web of commands and obediences that reproduces itself daily in schools, churches, barracks, and parliaments. Anarchism, in its essence, is the absolute negation of that mediation. We do not want to reform the chain; we want to break it. We do not want a more humane boss; we want self-management. We do not want a more paternalistic State; we want the free federation of communes. This negation is not a philosophical abstraction; it translates into concrete acts: disobedience, wildcat strikes, sabotage, expropriation. Each of these acts collides head-on with the bourgeois penal code, with its police, and with its armies. The tension, therefore, is a perpetual war of movement.
And it is in this clash, in this violent dialectic, that our hope resides. Because the overcoming of the bourgeois order will not come from a vote, nor from a UN declaration, nor from a peaceful manifesto kindly asking the oppressors to convert. The overcoming will come from the crisis, from the shock, from the moment when the State’s repression becomes so brutal, so stark, that the veil of legality tears and the masses see the tiger behind the mask. It is repression that educates the masses in the school of necessity. It is police violence that radicalizes the moderate worker. It is the militant’s imprisonment that inspires the neighborhood’s rebellion. In this sense, repression is a double-edged sword: the enemy uses it to immolate us, but we use it as a forge that tempers our determination and reveals the true face of power. The more the State tightens the siege, the more it demonstrates that it has no arguments, only bullets. And when a structure has only bullets to offer, its fall is merely a matter of time and accumulated fury.
But beware: this libertarian victory, which emerges from the overcoming of the order, is not a static endpoint, a paradise where problems dissolve. It is a continuous process of self-emancipation. And it is precisely for this reason that the struggle, and all possible means of waging it, become the central category of our existence. Arguing that the struggle must continue “by all possible means” is not a blind call to violence; it is the recognition that, in a war of extermination against our humanity, we have the moral and historical right to use all available weapons. If the State uses laws to imprison us, let us use illegality to expropriate what was stolen. If the State uses the media to lie, let us use the printed word and direct action to expose it. If the State uses bullets, let us use barricades. The ethics of the oppressed cannot be the ethics of the oppressor. While they have property, we have hunger; while they have the army, we have numbers; while they have surveillance technology, we have the organic solidarity of the streets. The struggle by all means means using the general strike as a political weapon, occupation as an act of distributive justice, sabotage as an interruption of profit, and popular insurrection as the culminating moment in which the people, armed with their own courage, take into their own hands the destinies of social life.
Let us recognize, however, the harshness of the path. Defeats are bitter. The ranks thin out. Comrades fall. And the terrain often seems more barren than ever. The question that echoes in the basements of police stations and in forced exiles is: “Why continue?” The answer is as simple as it is absolute: because stopping is accepting death in life. Because the interruption of the struggle is not a truce; it is a definitive defeat that consecrates the bourgeois order as eternal. The continuity of resistance, even on arid ground, is the only guarantee that the flame does not go out. Each act of rebellion, however small, is a practical negation of the “end of history” proclaimed by the ideologues of capital. When a group of workers occupies a bankrupt factory, even if evicted the next day, they have planted a seed: the seed of possible self-management. When a neighborhood organizes itself into popular militias to confront police repression, even if massacred, they have written a page in the collective memory that no judge can erase. The struggle is not justified solely by the final victory; it is justified by the dignity it confers on every moment of resistance. The libertarian victory will come, but it will come as a corollary of countless lost battles, countless martyrs, countless “failures” which, added together, construct the revolutionary subjectivity.
This is the cruel dialectic that moves us: the bourgeois order cannot coexist with anarchic freedom. It will pursue it, slander it, and crush it with all its might. But in doing so, it generates its own antidote. It unifies the scattered, it radicalizes the moderate, it proves its own inability to resolve the crises it itself creates. The overcoming, therefore, is not an escape from reality; it is a dive into it, to the very bottom, to the point where the tension breaks and the new emerges from the ashes of the old. And this new world — the federated, egalitarian, and free society — will not be built with prayers, but with the rubble of the toppled edifice.
Finally, dear comrades, let us not deceive ourselves with the siren song of political realism. Bourgeois realism is the acceptance of servitude. Our realism is the awareness of the enemy’s strength allied with the certainty of our need to destroy it. Repression is there, in the basements, in the police stations, in the cannons. But our will to resist is also there, in the workshops, in the fields, in the peripheral neighborhoods. Let repression find us on our feet. Let the unfavorable terrain find us in motion. Let the tension find us in the trench. Because libertarian victory is not a prize for the prudent; it is a conquest for the audacious. It is the overcoming of the bourgeois order that will bring us the dawn, but this overcoming demands that each one of us, now, in this instant, wield our tool, our word, our fist, or our intelligence to strike the chains.
The struggle continues. Not because we hope for an easy tomorrow, but because today, without struggle, is unbearable. Not because the future guarantees us triumph, but because the present demands rebellion from us. Repression is inherent, the terrain is hostile, the tension is absolute. But resistance is our essence. And as long as there is a single exploited person, a single oppressed woman, a single chained worker, there will be an anarchist planting the dynamite of freedom. Forward, then. Victory is the very path, and the path is the struggle to the end.
Liberto Herrera.